quarta-feira, 13 de abril de 2011

Os deputados, as declarações e uma reflexão sem meias-palavras


Falar o que se pensa sempre se traduziu em caminho livre para encrencas. Principalmente quando se dá a ausência daquele elemento tão cultivado nas relações sociais saudáveis - o bom senso! Dois deputados (homens públicos, portanto) estão envolvidos em polêmicas sérias por suas declarações, digamos, não muito ortodoxas.
O primeiro caso se passou com Jair Bonaro (PP-RJ). Como uma metralhadora de frases mal escolhidas, o deputado conseguiu ser acusado de racismo por Preta Gil (durante participação em comum no programa CQC), ser processado pela ordem de advogados do Rio de Janeiro por quebra de decoro parlamentar e, ainda não contente, bombardeou o próprio MEC. Acusou a campanha do ministério contra a homofobia, a qual estaria, em verdade, promovendo a homossexualidade e "abrindo as portas para a pedofilia". (apud. Veja)
Na segunda situação, o mecanismo escolhido para fazer barulho foi o microblog Twitter. Marco Feliciano (PSC-SP) postou as seguintes afirmações: "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato", tuitou na tarde desta quinta-feira, 31, o deputado, que é pastor evangélico. Em post anterior, Feliciano escreveu: "A maldição que Noé lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!". Em um tweet que posteriormente foi removido, o deputado afirmou que a África sofre com a "maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids (sic)". (apud. Estadão).
Sabe o que a mídia fará com tão farta "matéria-prima"? Tomará as declarações em conjunto e as considerará da mesma forma, sem avaliar cada conceito separadamente. Assim, num exercício de "desmanche de lógica", ser contra a homossexualidade passará a equivaler a preconceito racial e ambas serão tomadas como parte do discurso de gente atrasada, preconceituosa e intolerante. Ainda que o dito Pr. Feliciano tenha evocado uma antiga e equivocada interpretação da maldição de Noé, quem irá conferir? Isso pesará como um motivo a mais para desdenhar da Bíblia. Antes dele, outros já tentaram alegar que a marca imposta sobre Caim (Gn 4:15) também se tratava da cor negra. Exegeticamente, nada em ambos os relatos bíblicos pode embasar semelhante conclusão, que fica por conta de pressupostos dos (maus) intérpretes.
Quanto à homossexualidade, Deus a condena veementemente e embora ela seja vista com outros olhos na atualidade, o cristão segue não os padrões mutáveis da sociedade ao seu redor, mas preceitos confiáveis da Bíblia. Basta notarmos que homossexuais eram tratados como os pedófilos o são atualmente; e se daqui a algumas décadas a sociedade aceitar a pedofilia como "opção sexual" (como Grécia e Roma fizeram no passado)?
Entretanto, mesmo que comportamentos sejam imorais, e mereçam ser desse modo caracterizados, não somos autorizados por Deus a agir com violência ou desamor em relação àqueles que o praticam. Embora discordemos sob a lente da fé cristã do comportamento homossexual, vemos no homossexual enquanto pessoa, um candidato ao Reino dos Céus.

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