sexta-feira, 13 de maio de 2011

A minha posição sobre as redes sociais online



Muito tem sido debatido a propósito das redes sociais online. Normalmente, centra-se esta discussão mais nosperigos e desvantagens do que nos benefícios e vantagens; contudo, penso que por vezes se tem perdido alguma eficácia e propósitodesvirtuando um enorme potencial que está ao nosso alcance.


Se falamos em redes sociais, temos de ver que isso não é um conceito novo: ele surgiudesde que existem seres viventes. Deus relaciona-se socialmente com todas as suas criaturas; e o homem, tendo sido criado à Sua imagem e semelhança, só podia refletir isso no seu comportamento.

Sendo que a primeira rede social era de âmbito exclusivamente familiar (Adão e Eva, a quem se juntaram filhos e filhas), logo que a humanidade se multiplicou pela face da terra, este conceito começou a assumir novas formas: vizinhos, estrangeiros, colegas de trabalho, viajantes, mercadores, etc..


Claro que naqueles tempos o relacionamento entre eles era apenas praticado de formapresencial (oral e visual) e mais tarde escrito, usado em laços familiares, de amizade, negócios, etc.. Com as devidas atualizações decorrentes do normal curso da História(começaram a haver lojas, escolas, cidades, etc.), assim se mantiveram durante séculos os métodos de relacionamento social entre os habitantes da terra.

Há contudo um pormenor que me parece importante mencionar desde já para perceber o contexto atual das redes sociais: para fazer parte de uma ou mais daquelas redes (conforme oleque de escolhas o estilo de vida que cada um fazia), era preciso que todos os seus membros se deslocassem no mesmo momento a um determinado lugar para partilharem ideias, pensamentos, bens, etc.. Isso sucedia mesmo tratando-se de um simples relacionamento entre apenas duas pessoas.

Ora, os avanços tecnológicos das últimas décadas alteraram radicalmente toda a nossa vida; e, como não podia deixar de ser, a forma como nos relacionamos também foiseriamente afetada.

As redes sociais online providenciam assim uma forma rápida, diria mesmo instantânea, de nosintegrarmos num grupo de interesses comuns ou num forum de debate, e decomunicarmos quase gratuitamente com qualquer pessoa (familiar, amigo, desconhecido, parceiro de negócios, figura pública, etc.). E, para isso, não precisamos sair da nossa casa ou empresa: cada um está no seu sítio, e ao mesmo tempo está em todo e qualquer lado.

Tudo se torna também mais visível e fácil de aceder - uma vez online, quantas vezesencontramos e somos encontrados sem procurar? Antigamente, isso apenas sucedia quando nos cruzávamos com alguém na rua; agora, simplesmente, isso também acontece online, e com muito mais facilidade e rapidez.

Haverá cuidados especiais que devemos tomar? Claro que sim! Mas será que isso é novidade? Não, não é.

Quando passeamos as nossas crianças nas praças e jardins públicos, não as deixámos fora de vista nem por um instante, e muitas vezes insistimos em segurá-las pela mão! Se precisamos de as inscrever numa escola, procuramos saber que "fama" têm os habituais frequentadores da mesma, para saber em que tipo de companhia vamos colocar os nossos filhos!

E se vamos a passar de noite numa rua apertada e com pouca luz, e vemos um grupo de pessoas encostado a uma parede com olhares suspeitos, alteramos logo o caminho, se o pudermos fazer! Se na nossa empresa surge um cliente novo que faz uma avultada compra, tratamos de averiguar primeiro da fiabilidade da pessoa em causa e tentamos garantir que receberemos o pagamento!

Isto para dizer que em todas as relações sociais que desde sempre existem, há cuidados que devem ser tomadosperigos que devem ser evitados. Com certeza que assim também deverá ser nas redes online, provavelmente com mais atenção ainda!

Não posso deixar de evidenciar um elemento que me parece merecedor de especial referência: as redes online expõem sempre o utilizador (o grau dessa exposição pode - e deve! - ser controlado). Aquilo que escrevemos, dizemos, gostamos e mostramos, torna-se de um momento para o outro visível para um público que, muitas vezes, não sabemos quem é, nem podemos gerir. Cada pessoa torna-se, muito na medida em que o permite, umator num palco com todas as luzes apontadas, sendo que pode não conseguir vislumbrar seja quem for na plateia.

Isto não é necessariamente mau; se o utilizador escolher fazer uma boa gestão da informação que coloca, poder-se-á reduzir o grau de visibilidade que, por defeito, as redes online proporcionam.

Contudo, e por tudo o que uma presença online nos oferece, devemos aproveitar esta oportunidade para aquilo que é mais importante e que, desta forma, nos permite ser, como referi, mais rápidos, de um alcance e tão baixos custos que de outra maneira não conseguiríamos.

Dou um exemplo: quando entro no meu Twitter, 90% dos posts que vejo são referentes a informações relevantes (quer notícias ou pessoais), nas quais se inclui uma boa medida de reflexões e textos bíblicos, muitas vezes com ligações para mais conteúdos.

Através das redes sociais online Facebook e Twitter, este blogue atingiu uma dimensão muito superior à que tinha antes delas. Sei que sou acompanhado por pessoas das maisdiferentes confissões religiosas, para algumas das quais já enviei livros missionários por via postal (semelhantemente, pela mesma via tenho também recebido simpáticas ofertas de amigos que só conheço online!). Recebo comentários de irmãos e amigos das mais incríveis e longínquas localizações pelo mundo de expressão portuguesa.

Para comparação, sugiro o seguinte raciocínio: este blogue recebe algumas centenas de visitas diárias; na realidade portuguesa, seremos capazes de apontar quais as igrejas que recebam, digamos, 300 pessoas semanalmente?!! (E veja que me sirvo só deste espaço; imagine este raciocínio para outros ainda mais divulgados...)

Uma breve análise será o suficiente para perceber que pessoas, empresas, comunidades religiosas, etc., há muito se aperceberam deste enorme potencial. E, além de o usarem,incentivam o comum e anónimo utilizador a fazer o mesmo.

Disse a mensageira do Senhor algo sobre as relações sociais? Eis a resposta (sublinhados meus):
"É pelas relações sociais que a religião cristã entra em contato com o mundo. Cada homem ou mulher que recebeu a iluminação divina deve derramar luz na senda tenebrosa dos que não conhecem o melhor caminho. A influência social, santificada pelo Espírito de Cristo, deve desenvolver-se na condução de almas para o Salvador. Cristo não deve ser escondido no coração como um tesouro cobiçado, sagrado e doce, fruído exclusivamente pelo possuidor. Devemos ter Cristo em nós como uma fonte de água, que corre para a vida eterna, refrescando a todos os que entram em contato conosco" (A Ciência do Bom Viver, ps. 495 e 496).
"Como discípulos de Cristo, não nos misturemos com o mundo por mero gosto do prazer, para unir-nos a eles na tolice. Tais associações só podem trazer prejuízo. Nunca devemos sancionar o pecado por nossas palavras, ou ações, nosso silêncio ou nossa presença. Aonde quer que formos, devemos levar conosco Jesus, e revelar a outros que precioso é nosso Salvador. Os que buscam esconder sua religião, porém, ocultando-a dentro de muros de pedra, perdem valiosas oportunidades de fazer bem. Por meio das relações sociais, o cristianismo se põe em contato com o mundo. Todo o que recebeu divina iluminação, deve lançar luz sobre o caminho dos que não conhecem a Luz da vida" (O Desejado de Todas as Nações, p. 152).
"Apoiando-se firmemente em Deus pela oração e a fé, a alma permanecerá firme na independência moral, todavia com bondade perfeita, perfeito amor. As tentações da sociedade são enfrentadas e resistidas, é mantida comunhão com Deus, e a comunhão entre vossa vida e Deus vos habilita a transmitir aos outros mediante vossas relações sociais as seletas bênçãos que o Céu tem a doar" (Carta 7, 1883)
"Em vossos negócios, nas amizades das horas de lazer, e no casamento, que todas as relações sociais que tiverdes sejam empreendidas com fervorosa e humilde oração. Mostrareis assim que honrais a Deus e Deus vos honrará a vós" (A Ciência do Bom Viver, p. 513).
E o que dizer da capacidade das redes online para promover esses relacionamentossociais? Eis uma afirmação que me parece feita à medida:
"A verdade será apresentada de tal modo que o que passar correndo poderá lê-la.Descobrir-se-ão meios que possam alcançar os corações. Alguns dos métodos usados nesta obra serão diferentes dos que foram postos em prática no passado; masninguém, por causa disto, feche o caminho pela crítica" (Review and Herald, 30 de setembro de 1902).
Dito isto, creio ser um pouco "velho do Restelo" (figura associada ao pessimismo, àqueles que acham sempre não ser possível, aos que não acreditam no sucesso e lutam contra a iniciativa) estar a assumir um postura contra as redes sociais online, manifestando a opinião que, de todo, não deveriam ser usadas.

Quero contudo dizer que, na minha opinião, nada disto dispensa o valor que há no contato pessoal. Estar na mesma sala, conversar face a faceouvir a voz e ser ouvido, poderapertar a mão, dar um abraço, é algo que não pode ser substituído pelo contato online.

Mas, também, não é para isso que as redes sociais online servem. Cada coisa no seu lugar.Bem usadas, as redes online só podem favorecer tudo o resto.

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