sexta-feira, 20 de abril de 2012

Homem-Aranha faz pacto com o demônio



 Desde que fiz pesquisas para escrever o livro Nos Bastidores da Mídia (cuja primeira edição foi publicada em 2005), tenho acompanhado com muito interesse os desdobramentos da luta entre o bem e o mal, na imprensa e nas produções de entretenimento. A intensificação do engano (o que chamo no livro de a “tríade filosófica do mal”) é notória e o inimigo de Deus cada vez mais coloca suas garras de fora. Na literatura, personagens que antes lidavam com bruxaria e vampirismo (contribuindo para divulgar esses conteúdos satanistas) agora são anjos caídos com uma causa “justa” e “defensável”, como na série “Fallen”. No cinema, a explosão de produções espíritas e ocultistas fala por si mesma. E nos quadrinhos a coisa não é diferente.

Em 1992, o Superman morreu para, depois, ressuscitar (não sem antes os autores das histórias explorarem a “vida após a morte” do personagem). O personagem Spawn é um agente da CIA que morre, vai para o inferno, faz um acordo com o diabo e volta cheio de poderes para combater o crime (mais ou menos como o Motoqueiro Fantasma)! A Supergirl também teve sua experiência com o capeta. Na introdução da saga “Os últimos dias” (2003), é dito: “Aproveitando-se da falta de fé de Linda [Danvers], um demônio chamado Buzz tentou seduzi-la a ingressar num culto satânico, com o único objetivo de sacrificá-la para conjurar uma entidade conhecida como Lorde Chakat.” Anos depois, foi a vez do Homem-Aranha meter-se com satanismo e fazer, ele também, um pacto com o diabo!

Em novembro de 2007 (novembro de 2008, no Brasil), a Marvel decidiu mudar tudo na “vida” do escalador de paredes, com a história “Um Dia a Mais”. E quem ela recrutou para fazer isso? O demônio Mefisto. Com sua tia idosa baleada e à beira da morte, Peter Parker (o alter ego do Homem-Aranha) resolveu recorrer ao maligno em busca de cura. Após o pacto com Mefisto, toda a “realidade” foi modificada e fatos importantes da vida do herói mascarado foram completamente alterados. Exemplo: o casamento de Peter com Mary Jane nunca aconteceu (e isso foi parte do preço pago ao diabo), a tia dele não morreu (aqui o maligno cumpriu sua parte no trato), a identidade do Aranha (revelada na saga “Guerra Civil”) não mais é conhecida por todos, etc. A ideia dos criadores das histórias do Homem-Aranha foi reformular e simplificar o universo do personagem – para vender mais gibis, evidentemente. Mas apelando ao demônio?


Isso é coisa que um herói faça? Para salvar a tia já bem adiantada em anos, abre mão de sua amada, de seu casamento e de seu mundo! Em troca de mais alguns anos de vida para a tia, Peter Parker se vende ao diabo e deixa, com essa história, a sugestão de que o inimigo é todo-poderoso, capaz não apenas de conceder vida a quem está à beira da morte, mas também de mudar toda a realidade.

Alguma dúvida sobre quem está inspirando essas produções? Alguma dúvida sobre quem tem grande interesse em tornar o grande conflito historinha pra nerd dormir? Aos poucos e por meio das mais variadas produções midiáticas, o inimigo de Deus vai popularizando (ou banalizando) sua causa. Quem não for atraído por ela ou com ele se identificar vai, no mínimo, considerá-la brincadeira de criança. De uma ou de outra forma, Satanás acaba na vantagem.

Deus nos livre de tudo isso!

Michelson Borges

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