sexta-feira, 13 de julho de 2012

O impressionante fascínio por Augusto Cury


Serão de alguma forma benéficos os livros de autoajuda? 
Os cristãos necessitam recorrer a estes livros?
Para responder estas e outras perguntas, não deixe de ler esse interessante comentário sobre o Dr. Augusto Cury. [JSO]





Não sei se passará à História como apenas mais um epifenómeno que atingiu a literatura religiosa/científica/de autoajuda, e por isso não deva valorizá-lo, mas intriga-me grandemente este fascínio perturbador que o nome e livros de Augusto Cury parecem conseguir exercer em muitas mentes de todos os espetros da sociedade.

Arriscando fazer alguns leitores deste espaço sentirem-se como uma criança a quem é roubado um rebuçado, lamento desde já desiludir os mais que eventuais detratores deste artigo com a autodenúncia: não, nunca li um único livro de Augusto Cury, nem pretendo fazê-lo. E este facto vai permitir-me reclamar a condição de um certo distanciamento para com esse supostamente sólido esclarecimento dos sentidos que parece atingir os seus leitores (isto, pelo que me apercebo dos seus testemunhos…).

Isso não evita que tenha, aqui e acolá, deitado o olho a alguns dos textos de Cury, mais ainda a certas análises que lhe são feitas por toda a gama desses seus leitores – aqueles que passam a admirá-lo (normalmente, o comum e respeitado cidadão) e os que se tornam seus críticos (grupo este onde encontramos mais os especialistas nas áreas que Cury aborda).

Outra confissão: fico logo renitente quando vejo as áreas da sua formação: psiquiatria e psicologia. Ao que dizem, nelas ele desenvolveu a teoria da inteligência multifocal, sobre ofuncionamento da mente e o processo de construção do pensamento – o que talvez nos obrigue a acrescentar ao seu currículo, pelo menos em honoris causa, a área da filosofia. O que não me alivia a preocupação…

Até porque, esta nova teoria está longe de receber aplauso unânime. De acordo com Renato Flores, professor do departamento de genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil, e uma autoridade na análise de imposturas científicas, "os únicos trechos mais ou menos aproveitáveis são versões pobres das ideias de cientistas como o neurologista António Damásio. O resto é pseudociência".

A dar uma achega no mesmo sentido, temos Amy Sondovacrítica e terapeuta bíblicaamericana, que também não é grande adepta da inovação inteletual que Cury assume. Ela escreveu: “infelizmente, o Dr. Cury simplesmente regurgita técnicas de terapia cognitivo-comportamental para a comunidade cristã”. Ela vai mais longe ao sugerir que pelo que se infere dos livros dele, a “humanidade não tem saída a não ser que dê ouvidos à sua ‘pregação’”. Fico a pensar se Cury será formado em medicina ou teologia

O que não é novidade alguma, é que quem está por dentro da matéria é sempre mais exigente e rigoroso na análise, não se fica pela superficialidade das emoções…

Curioso é verificar que Cury já foi para além das obras de âmbito médico-científico, tendo-se já aventurado em dois romances, o primeiro dos quais recebeu o sugestivo título de “O Futuro da Humanidade”, onde é contado o processo de formação de um filósofo da psicologia. A estrela principal de ambos? Uma personagem que dá pelo nome de Marco Polo, um “poeta da psiquiatria”. (Não resisto a perguntar: tratar-se-á de uma camuflada auto-biografia...?)

Uma mistura que parece querer rivalizar em argumento – porque nas vendas já o faz – com Dan Brown, esse mestre do casamento entre realidade e ficção. No meio desta confusão, convém não esquecer que só puro mais puro resulta em puro; qualquer grau de impureza ou mancha contamina logo a pureza original.

Mas ainda podemos ir mais longe. E, como meu próprio testemunho, posso dizer que ao contrário do que se sugere, as suas obras não são necessariamente biblico-cristãs. Exato, pouco importa que ele mencione a pessoa de Jesus como exemplo e até lhe dedique um ou mais livros. Até o faz com Maria

O que importa para o caso é que Augusto Cury também é largamente comentado, sugerido e recomendado nos meios espíritas. Vamos às evidências.

Comece pela médica-espirita Cristiane Ribeiro Assis no sítio Web da Associação Médico Espírita do Brasil, passe pelo blogue Audio Espírita, onde as figuras logo em primeiro destaque são Jesus e, principalmente, Alan Kardec (o que foi que eu escrevi atrás sobre mistura de mancha na pureza…?), confirme esta preferência no sítio Momento Espírita, perceba como a livraria espírita Candeia propõe as suas obras, e termine em beleza com arecomendação do sítio Paracleto (palavra grega para Consolador) para uma obra de Cury no final de um artigo sobre “Marianismo no Espiritismo”. E não quero cansá-lo mais...

Com tudo isto, perceba porque é que não deixa de me espantar ver cristãos lerem e oferecerem livros de Augusto Cury, colocarem os seus murais de Facebook carregadinhos de frases dele, enviarem as suas máximas em lindos PowerPoints com suaves músicas de fundo, etc., ao mesmo tempo que, eventualmente, livros e autores que interessam mesmo são esquecidos, colocados de lado.

A propósito destes últimos, termino com dois parágrafos para maior reflexão (negritos meus).Faça bom proveito!

A negligência da oração leva os homens a confiar em sua própria força, e abre a porta à tentação. Em muitos casos a imaginação é cativada por pesquisas científicas, e os homens se lisonjeiam mediante a consciência de suas próprias faculdades. As ciências que tratam da mente humana são muito exaltadas. Elas são boas em seu devido lugar; mas Satanás delas se apodera como poderosos instrumentos seus para enganar e destruir as pessoas. Suas artes são aceitas como vindas do Céu, e ele recebe assim o culto que lhe convém.” Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 2, ps. 351 e 352.

Se, enquanto estudavas a ciência da filosofia mental, tivesses estudado diligentemente a ciência da verdadeira piedade, tua experiência seria bem diferente do que é. Por que te volveste das puras correntes do Líbano para beber as escuras águas da planície - o engano das invenções humanas? O coração carece de um poder que só se encontra na Palavra de Deus. Esse poder é o pão da vida, que, comendo dele, o homem viverá para sempre. Não deve ele meramente provar ocasionalmente do pão que desce do Céu. Deve viver das palavras que são espírito e vida para o recebedor. O sincero tomar posse da verdade, o apropriar-se pessoalmente das palavras de Cristo, opera uma transformação no caráter.” Idem, Carta 130, 1901.
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