domingo, 18 de outubro de 2015

A Fé Tem Relevância Política?

Ben Carson, neurocirurgião brilhante, cristão adventista e candidato a candidato ao governo americano pelo partido republicano foi desafiado com a pergunta:
– Você acha que a fé do candidato tem relevância para sua política?

Carson responde que não. “A f
ben-carson
é tem que ser compatível com os princípios que criaram esta nação. Sua cosmovisão tem que ser submetida aos princípios da constituição.
A intenção do repórter era a de pegar Carson numa declaração politicamente incorreta.
– E se um muçulmano se candidatasse você votaria nele?
– Não, eu não apoiaria um candidato muçulmano.
Carson foi vaiado pela mídia americana. Em todo o país a mídia liberal usou o episódio contra o médico, chamando-o até de racista, como se o islamismo fosse raça e a expressão que ele usou fosse preconceituosa.  O problema  é que ele está certo. A religião islâmica não é capaz de produzir uma cosmovisão compatível com a democracia. Basta olhar para o cenário político dos países onde o Islã é a religião predominante.

Os cristãos de hoje sofrem de um falso senso de humildade e uma imagem da fé poluída pelos ataques seculares. Quando se fala de violência islâmica, muitos abaixam a cabeça e dizem, – “é, mas as cruzadas…” Não seria justo dizer que o Cristianismo já se arrependeu há mais de 500 anos atrás do erro das cruzadas? Não seria justo também dizer que as cruzadas tiveram mais inspiração política do que religiosa numa época em que o poder cegava a igreja institucional?
Novamente cito o teólogo William Cavaunaugh quando defende que o mito da religião que transcende história e cultura como uma força que induz à violência foi criado pelo secularismo. O que existe são instâncias contextuais em que o poder político se impõe ao discurso religioso.[1]
Neste ponto a Bíblia leva vantagem. Enquanto a Bíblia tem a natureza essencialmente subversiva, porque leva o individuo a desafiar o poder instituído, o Alcorão é usado para promover o casamento político-religioso e legitimar todas as teocracias do mundo.
A democracia constitucional é um produto do Cristianismo e não da Grécia clássica como alguns querem acreditar. Foi o historiador Will Durant em sua coleção de história do mundo publicada à partir de 1935 que se levantou contra o que até então era consenso geral que atribui a Grécia e não à Bíblia, como se cria, a origem da democracia ocidental.
O mito criado por Durant foi desmascarado depois por vários historiadores diz Vishal Mangawaldi[2] no livro em que defende os fundamentos bíblicos da cosmovisão ocidental. O fato é que a Grécia não produziu uma democracia que durasse mais de 3 décadas e que não degenerasse em anarquia e ditadura da multidão. Platão por exemplo considerava a democracia o pior de todos os regimes. Foi a democracia grega degenerava em governo da maioria (mob rule), que levou Sócrates à morte. O governo perfeito para Platão era o domínio do filósofo rei. E era esta a expectativa de Aristóteles seu discípulo quando treinou Alexandre o Grande. O resultado foi uma das piores tiranias imperiais da antiguidade. Este é o legado da Grécia. Na Renascença Maquiável ressuscitou o conceito de Platão no tratado “O Príncipe”, que até hoje é livro de cabeceira de todos os tiranos profissionais.
Quando os americanos estabeleceram seu país, rejeitaram a ideia grega e inspirados pela Bíblia criaram uma república constitucional. Qual é a diferença? Nesta forma de governo quem manda é a constituição, todos se submetem a ela. É o governo debaixo do domínio da lei. A inspiração para isto foi o governo de Moisés sobre a recém formada nação de Israel. Eles tinham a lei, e tinham um líder carismático e poderoso. Não era suficiente. Ao povo foi dada a responsabilidade de escolher líderes capazes para dividir o poder. Os escolhidos não podiam agir por conta própria, mas debaixo da lei escrita e imutável de Deus. O Deus Jeová dialoga com seus servos, e lhes dá liberdade para escolher seus caminhos. A lei não é arbitrária, é humano-cêntrica, sociedade-cêntrica, e nos ensina como nos tornarmos melhores como grupo. Jeová persuade, propõe ao invés de impor, e deixa aos homens a prerrogativa de escolherem seu governo. Alá por sua vez impõe sem diálogo algum, e se governa através do profeta iluminado.
As pressuposições políticas básicas da Bíblia são: O governo legítimo é do povo, não do líder. Todos os seres humanos são falhos, e precisam estar debaixo da lei. O Alcorão ao contrário da Bíblia impõe uma lei teocêntrica e que de
ve ser imposta aos fiéis por seus tiranos iluminados. Alá não debate, impõe. O povo não tem voz, e a rejeição leva à morte.
Esta diferença é fundamental. Concordo com Carson, a fé é sim relevante no cenário político. Enquanto um muçulmano tem que negar sua fé para exercer democracia o cristão tem que viver a sua.

 [1] Cavanaugh, William T. The myth of religious violence: Secular ideology and the roots of modern conflict. Oxford University Press, 2009.

[2] Mangalwadi, Vishal. 2011. The Book That Made Your World : How the Bible Created the Soul of Western Civilization. Nashville, Tenn.: Thomas Nelson, pg 336

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